O dia em que tive um parto livre no hospital (o nascimento indie de Rumi Sol)

10 de Novembro de 2020 - Por MARYN GREEN

 
 

Por onde começar? E pensar que meu décimo parto iria me mostrar e ensinar algo novo. Minha gravidez com Rumi começou e terminou com um elemento surpresa.

Rumi Sol: você é meu pequeno feiticeiro mágico que literalmente me mostrou a sua criação de um novo paradigma para o nascimento. Eu nunca esperei isso, mas, ainda assim, era exatamente o que eu precisava (e acho que o mundo também). Você se deu o nome de amor e luz, e posso ver que é exatamente quem você é.

Tenho certeza de que chegar mesmo à história do nascimento é o que as pessoas querem, mas antes alguns pensamentos sobre a gravidez de Rumi e, especificamente, os dias que antecedem o parto.

A GRAVIDEZ

Esta foi minha 13ª gravidez, esse é o número da deusa, e como bebê número 10 por vir em nossa família, sua gravidez foi uma iniciação espiritual profunda. Esse aspecto foi praticamente tudo o que compartilhei em postagens de blog e podcasts.

Eu estava em meio à uma transformação. Tive a bênção de trabalhar com uma mulher mais velha e sábia como mentora e, enquanto me lembrava dos ensinamentos esotéricos e era cada vez mais guiada por meus ancestrais, sabia que o nascimento seria altamente simbólico e potente. Confesso que esse conhecimento produziu de uma nova maneira,  certo medo do desconhecido antes do nascimento. Eu queria manifestar leveza e simplicidade, mas havia um profundo entendimento de que o nascimento seria outra parte da iniciação. Um teste, não necessariamente fácil, mas que traria grande recompensa. No entanto, não podemos escolher a transformação como um processo e também a energia de morte / transfiguração que vem com ela.

Nas semanas e dias anteriores ao seu nascimento, senti como se estivesse em um retiro espiritual e em constante busca por mais calma e foco. Eu sabia que tinha exatamente o que era necessário, o que quer que fosse e me conectei ainda mais com esse ser mágico dentro de mim. Muitas vezes me vi sentada no silêncio, em estado de presença, sem a capacidade de invocar uma visualização de seu nascimento em casa. Eu não tinha certeza se isso significava algo, mas não conseguia "ver" em minha mente sua entrada na Terra em nosso novo espaço (e pensei que talvez fosse apenas porque o espaço seria novo), embora eu pudesse ver que, eventualmente, estaríamos aconchegados em segurança na cama juntos. Esses pensamentos eram estranhos e perturbadores, eu os usei como uma oportunidade para trabalhar mais e mais medos. O que quer que seu nascimento trouxesse, eu seria capaz. Mas eu tinha menos certeza do que seria, mais do que jamais tive com os outros. (Embora houvesse muitas semelhanças notáveis ​​com a gravidez dele e a de meu filho Rune).

Falando de maneira mais prática, as semanas que antecederam o nascimento foram longas. Eu estava enorme, pesada e não dormia bem. Apesar das visitas duas vezes por semana ao quiropraxista e caminhadas diárias, meu osso púbico e, ocasionalmente, o sacro estavam doloridos. Eu estava animada (e nervosa) para chegar mais perto de sua data prevista, todos os dias. Terminamos todo o planejamento, como sempre e a Margo chegou aqui no dia 1º de novembro. Finalmente, novembro!

O TRABALHO COMEÇA

Com a "data prevista do parto" para 10 de novembro, eu sabia que estava perto. Na noite do dia 7, por volta das 22h, minhas 'águas abriram' (bolsa rompeu) enquanto eu estava na cama tentando dormir. Eu não tinha tido muitas contrações antes e continuei a não ter muitas. Era curioso, mas familiar (meu primeiro e sexto partos começaram assim) e eu sabia que era uma questão de tempo até que o trabalho de parto começasse. Eu estava vazando um fluido claro por todo lado e comecei a ver um pouco de muco sanguinolento.

Por volta das 4h da manhã seguinte, eu definitivamente estava tendo algumas contrações fortes e uma boa quantidade sangue aparecendo. Parecia parto! Jason ligou para Margo e ela veio, nós duas pensando que estava iminente. Eu tinha quase certeza, com base em minhas experiências anteriores de nascimento e experiência em geral, que daria à luz um bebê, sem problemas, nas próximas horas. E estava aproveitando o processo! Eu tinha minha música tocando,  parecia tão familiar, certo e possível. Yay! Eu encontraria meu bebê em breve! Quando o sol nasceu, as contrações pararam e eu fiquei muito frustrada. Passar do trabalho de parto ativo para NADA é estranho, confuso e provavelmente não tão comum (exceto entre mulheres que deram à luz a muitos).

Aquele dia 7, se arrastou. Eu não podia ir a lugar nenhum porque: a) eu ainda estava vazando uma tonelada de fluido e b) haveria uma contração real e intensa a cada hora ou mais, ou algumas vezes por hora. Mas, não era suficiente ou consistente o suficiente para estar na "partolândia". Eu estava em meu cérebro prático e analítico. O fluxo hormonal de parto parecia ter sido descarrilado. O melhor conselho que recebi foi do meu marido, que me perguntou por que precisava ir mais rápido ou ser diferente. Hmmm. Naquele momento, pedi desculpas a Rumi e disse a mim mesma e a ele que respeitaria a história DELE e seu tempo. Dando tempo para tudo o que ele precisava.

Nós esperamos. Meu adorável quiropraxista  veio duas vezes naquele dia para me ajustar e também conversamos sobre medos. Na espera, comecei a sentir medo do que estava por vir e não tinha certeza se era porque eu ainda não estava realmente conectada ou o quê. Eu tinha sentido o gostinho da intensidade do trabalho de parto, mas depois passou e fiquei muito ansiosa para voltar a ela! Eu estava com medo, por algum motivo, de que não conseguiria. Não fazia nenhum sentido racional e mesmo com todos ao meu redor me lembrando que eu conseguiria, como já consegui, eu podia sentir uma apreensão. Novamente, entreguei a Rumi o melhor que pude em confiança. Esta era sua história.

Mais tarde naquela noite, por volta da meia-noite, talvez, as coisas começaram de novo com um estrondo. As contrações começaram controláveis, e então rapidamente mudaram para a sensação de Rumi batendo contra meu osso púbico a cada onda. Era extremamente desconfortável e não parecia certo. Falei com ele, apalpei a barriga para ver se sentia o que estava acontecendo e conversei com ele. Parecia que suas mãos estavam perto de seu rosto e ele estava tentando entrar na minha pélvis dessa forma, ainda bem alto. (Muitos dos meus bebês ficaram obcecados com as mãos no útero e eu assisti a muitos nascimentos de bebês que nascem de forma simples e fácil com uma mão perto do rosto! Eu não estava pensando que significava algo em particular além de estar ciente da estranha dor e sensação que parecia estar me causando. Essas sensações eram diferentes de qualquer uma que eu já tinha vivido).

E de repente, puxos. Quase não houve trabalho de parto ativo, a vontade de empurrar  começou à 1h da manhã. Houve algumas gentis, pensei que poderia respirar para baixo e para fora, assim como fiz com Deva e Cove. Nesses momentos, eu me sentia em paz e esperançosa, como se tudo estivesse normal e bem. Essa calma durou pouco tempo.

Rapidamente, pareceu, que as ondas  se transformaram em um tipo diferente de contração que se tornou tão insuportável e incontrolável que não tenho certeza se consigo encontrar as palavras. Eu estava tentando tudo que sabia, para administrar isso, incluindo não empurrar, mas nada estava funcionando. O que significa que eu TINHA que empurrar, mas parecia que tinha tijolos tentando se mover pelo meu corpo, e era realmente uma dor intensa. Eu senti em meus quadris, minhas pernas, minhas costas. Fiquei em posições que não sabia que existiam, ouvindo a necessidade de meu corpo se mover das formas mais estranhas. Saí nua no frio, empurrei, gritei e gemi no nosso deque. Eu me senti como um animal enjaulado que foi ferido e não conseguia encontrar alívio. Verdadeiramente  mais descontrolada e louca do que já me senti em um parto. Foi uma dor real e isso vem de alguém que teve todos os tipos de experiências de parto, incluindo meu último parto, que foi sem nenhuma dor.

 

Comecei a entrar em pânico. Eu não conseguia parar o processo, mas não sabia como continuar empurrando sem resultados. Fiz um toque procurando por ele dentro de mim, mas sentia que ele não estava perto, mesmo sem fazer isso. Por alguma razão, eu não conseguia colocá-lo na pélvis com nada do que estava tentando ou fazendo e eu estava trabalhando muito. Este não foi um dos meus partos abençoados do tipo “deixe meu corpo trazer o bebê para baixo”. Eu estava suando muito e ofegando e completamente acabada pelas contrações a cada 2 minutos. A melhor maneira de descrever essa sensação seria um quadrado tentando passar por um orifício redondo.

 

Margo esteve comigo durante muito disso, como minha amiga e parteira,  não consigo me imaginar fazendo especialmente esta última parte sem ela ou sozinha. Honestamente, fiquei apavorada. Algo estava errado e eu não conseguia nem mesmo trabalhar meu cérebro o suficiente para descobrir o que fazer ou como lidar. Ela ficava me dizendo que eu conseguiria, que eu faria, me ajudou com posições, a usar o Rebozo para puxar, etc. Eu já empurrei muitos bebês nos últimos 18 anos. Isso não parecia normal ou típico. Na verdade, parecia errado. Eu confio totalmente em meu corpo, mas isso significa que ignoramos os outros detalhes ou nunca pedimos ajuda? Eu tinha que permanecer humilde.

Em algum momento, senti a necessidade de avaliar Rumi, ouvindo seu coração com meu fetoscópio, o que eu tinha feito um monte de vezes durante os últimos dias. Eu me sentia bem com a comunicação com ele dessa forma e estava acostumada a ouvir seu batimento cardíaco reconfortante durante todo o processo (geralmente na média de 150bpm). Quando fiz essa ausculta depois de cerca de uma hora e meia desse empurrar louco, não fiquei tranquila.

Seu batimento cardíaco estava por vezes em 60bpm, mesmo ouvindo mais, procurando por um padrão e com um sonar, não me sentia bem do jeito que  ele estava. Eu também sentia que ele não estava se movendo muito entre as contrações e essa foi a gota d'água.

Eu disse a Margo que queria ir para o hospital e fui sincera. Ela chamou o Jason e ele me disse que me amava e me apoiava. Ela me perguntou se eu achava que conseguiria empurrá-lo para fora, aqui em casa, agora e eu honestamente não sabia se poderia com o tempo que ele precisava. Alarmada, eu respondi que eu poderia, mas o queria vivo.

Ela pegou o telefone e discou 911.

Ouça seu corpo, ouça seu bebê. A vida não é dogmática quando você está nela, de verdade. A intervenção só é negativa se você a temer.  O verdadeiro remédio pode aparecer em qualquer forma, embora possa ser humilhante para nosso ego admiti-lo.

(E esta não será uma história traumática de qualquer tipo, então se você tem fé, continue lendo para uma das experiências mais incríveis da minha vida ...)

O TRANSPORTE PARA O HOSPITAL

A ambulância chegou logo e eu estava em outro lugar no meu cérebro, ainda empurrando loucamente a cada 2 minutos, com capacidade apenas o suficiente para subir na maca. Graças a Deus, Margo estava vindo comigo, para apoio moral, para dar informações e ser a voz da normalidade se o bebê nascesse na ambulância, o que esses caras nunca tinham vivido. Tenho a memória mais louca dessa viagem de meia hora, de cabeça para baixo na cama, com minha cabeça pressionada a ela, em meu próprio mundo, empurrando como uma louca enquanto cruzávamos pelas estradas escuras. O atendente principal era ótimo e muito falante, não me incomodou, exceto para obter meus sinais vitais. Margo manteve-se positiva e calma e deu o tom para uma ótima comunicação ao ser recebida no hospital.

 

Minha lembrança de tudo o que aconteceu em seguida Está coberta pela névoa do trabalho de parto e nascimento. Eu mantive meus olhos fechados durante toda a viagem de ambulância e estava me sentindo como se estivesse em outro planeta quando chegamos. Senti as luzes brilhantes, ouvi novas vozes e o tempo todo continuei empurrando. Falou-se em ir a emergência, mas acabaram nos colocando numa sala de parto, o que com certeza fazia mais sentido.

Eu tinha acabado de começar a sentir Rumi preencher aquele espaço perto da minha bunda quando a ambulância se aproximou do hospital e estava usando todo o meu foco para trazê-lo para baixo e para fora. Vem bebê!

Ainda demorou muito mais tempo do que qualquer outro bebê que eu já tive, mas eu senti um indício de progresso com esses sentimentos e apenas continuei comprometida. Manter a cabeça dele naquele espaço mesmo depois que a contração terminava. Eu precisava dele fora, meu corpo precisava dele fora. 500% do meu foco estava nisso, eu estava minimamente ciente do novo ambiente e agora, do obstetra de plantão. Uma enfermeira estava se atrapalhando para colocar o monitor de frequência cardíaca fetal em volta da minha barriga, o que era muito irritante, mas no final das contas eu também queria essa informação (sua frequência cardíaca). Chame isso de sorte ou graça, não houve tempo para colocar um medidor de pressão arterial ou iniciar soroterapia. Eu estava fisicamente tão livre como sempre.

O médico começou a fazer perguntas (graças a Deus, mais uma vez, Margo estava lá) e só me lembro de dizer que o bebê precisava sair. O obstetra me perguntou se eu poderia deitar de costas para fazer um exame, meio que ignorando-o, continuei empurrando e acho que disse "a cabeça está para fora" ...

e com um empurrão final e milagroso, Rumi escolheu aquele momento para nascer. 03:33.

Milagroso. Sincronia. Graça.

Com a cabeça para fora, atrás de mim (eu estava apoiada nas mãos e joelhos), o médico recuou, gesticulando para que Margo pegasse! Por ser a melhor amiga que ela é e me conhecer tão bem, ela disse a ele que eu receberia meu filho.

Naquele momento, tirei o vestido que vim de casa, fiz a pose de corredor na cama, com o médico e a equipe de enfermagem apenas olhando, coloquei minhas mãos para baixo para sentir sua preciosa cabeça. Sem falar, sem tocar, sem na comandos, sem interferência ... Eu senti outra contração, com isso o alcancei, tirei seu ombro do meu osso púbico e o empurrei para a cama do hospital. O tempo todo, sem tocar, falar, dirigir, cutucar, interferir. Só eu e meu bebê na cama do hospital, com minha melhor amiga presente.

 

Fiquei tão surpresa ao dar à luz um MENINO! E coberto com o maior vérnix de todos os tempos, na verdade, havia pedaços sobre ele. Eu o beijei, o aconcheguei e amei como sempre fiz, como eu imaginava ... sugando um pouco de fluido de sua boca e observando sua suave transição para a vida. Seu rosto, olhos e cabeça estavam anormalmente machucados e inchados. Mas o nascimento foi mágico, lindo e perfeito. Bem-vindo Rumi Sol! Bem-vindo a este lindo planeta louco. Bem-vindo.

E assim continuamos em nosso êxtase, bem ali. Margo teve a sagacidade de tirar algumas fotos e elas realmente são algumas das minhas mais preciosas. (Quem não  AMA ver os funcionários do hospital ao fundo, apenas assistindo, a par deste parto “tipo domiciliar”,  independente que eles não sabiam que estariam testemunhando ?!) Radical. Autônomo. Livre.

As fotos mostram o que é possível. Fomos ensinados a acreditar que não podemos ter o que queremos . Se for acontecer com certas pessoas ou em certos lugares, tomarão nosso poder. E às vezes assim o fazem, mas não precisa ser assim. Como só meu marido Jason consegue fazer, ele comparou esse nascimento ao último filme Matrix. Eu não sou de assistir  filmes, mas aparentemente a lição foi que para transformar a Matrix, é preciso voltar para dentro dela primeiro. Poderoso.

O nascimento de Rumi foi transformador de muitas maneiras e continua sendo chocante quando penso nele! Para completar a história do nascimento, minha primeira hora após o parto foi silenciosa e feliz. O obstetra ficava entrando e saindo do quarto até que eu também dei à luz a placenta, por conta própria, um pouco mais tarde (Margo fez um vídeo disso e possível que seja o primeiro / único registro de um terceiro estágio sem perturbações em um hospital conservador. Quase posso prometer que os funcionários nunca tinha visto tal coisa.) O médico apenas observou. A placenta saiu na hora certa. Eu mesma lidei com isso e expirei enquanto  as membranas finais saiam em uma tigela, e pronto! Como sempre foi.

O obstetra então se despediu e foi embora de vez. Duas queridas enfermeiras permaneceram enquanto eu esperava Jason vir nos buscar. Sem "negações", sem recusas, sem discussões, sem papelada (além de assinar a alta à pedido), sem argumentos, sem consentimento informado, sem ameaças, sem restrições de tempo, sem sentimento de medo na sala (choque sim, mas não medo), sem alerta, NÃO ME FAZENDO USAR UMA MÁSCARA o tempo todo. Simplesmente  não houve nada que eles fizeram ou tentaram fazer que sugerisse que eles não confiavam em mim ou no processo. Esta equipe médica altamente treinada em um hospital conservador simplesmente RESPEITOU MEU CORPO, MEU BEBÊ, MEU PROCESSO, MEUS DESEJOS E FOI À SERVIÇO COMPLETO E TOTAL A MIM E AO MEU BEBÊ.

Enquanto esperávamos por Jason, o quarto estava escuro e silencioso. Ninguém prestou atenção em mim (da melhor maneira), sem colocar um medidor de pressão arterial, sem bipes na sala, sem outras perguntas ou avaliações. Tive de PEDIR uma na calcinha descartável  ​​e um absorvente, uma enfermeira me trouxe e saiu do quarto novamente. Ninguém fez barulho ou percebeu que eu estava usando o banheiro ou sangrando no vaso sanitário. Foi uma experiência completamente surreal, quase de outro planeta. Isso realmente ocorreu ou foi minha imaginação? Já estive em muitos partos hospitalares (e dei a luz a meu primeiro lá) e sei que de FATO nunca foi assim. NUNCA!

 

Realmente, todo meu amor sincero e gratidão a este obstetra e enfermeiras. Não sei por que ou como eles deixaram de lado o que aprenderam em favor do que eu queria, mas sou muito grata. Tão grata e honrada que Rumi e eu pudemos mostrar a eles como o nascimento funciona e se parece quando fomos simplesmente testemunhados.

Eles podem ter pensado que eu sou louca e tudo bem. No final, eles não colocaram suas necessidades, egos ou protocolos em primeiro lugar. Por alguma razão, tudo saiu pela janela e você não pode deixar de se perguntar se e como isso pode acontecer, naquele ambiente (e até mesmo em casa) com mais frequência. Não foi apenas perfeito, mas quase “como se” eles tivessem lido um livro sobre o nascimento sem perturbações. Como eles sabiam? Como eles sabiam que eu estava “OK” sem um medidor de pressão arterial ou sinais vitais verificados, ou sem sangrar muito? Como eles sabiam que meu bebê estava bem quando normalmente olham a papelada, os exames laboratoriais e os ultrassons (eu não tinha nenhum desses), usam todos os recursos e confiam neles mais do que nas pessoas, ou na observação ou a intuição? Provavelmente foi o caso, mas ainda estavam respondendo à energia que foi trazida. O nascimento consciente é um sentimento, não um rótulo.

 

O ENCERRAMENTO (POR HORA)

 

Esse nascimento me fez enfrentar alguns dos meus piores medos. Eu sei que para muitas mulheres como eu, com crenças e ideais semelhantes, é uma coisa horrível imaginar o transporte e um parto que não planejamos. Mas estou aqui para dizer que quase não importa, ou acabou não importando para mim. Somos poderosas porque somos poderosas, criamos nossas experiências e, simultaneamente, obtemos o que precisamos (e talvez sejam as mesmas coisas). No final das contas, há muita GRAÇA quando vivemos em nossa verdade.

Também vou usar essa história de nascimento para homenagear e amar minha melhor amiga! Que é claro também uma parteira incrível,  que me atendeu e me apoiou como ninguém, durante toda essa experiência. Ela estava comigo enquanto eu lutava e não tinha nenhuma intenção própria que eu fizesse isso ou aquilo. No entanto, ela sentiu minha sinceridade em querer e precisar de ajuda e nunca duvidou de mim. Então, mesmo em um estado politicamente difícil para ser parteira, ela abertamente compartilhou quem ela era com as equipes médicas e foi além de doce, aberta e profissional. Ela apresentou a si mesma e a parteria de uma maneira que toda parteira deveria tentar. Ela estava confiante sem ser confrontadora e arrogante. Eu estava TÃO ORGULHOSA de tê-la como minha defensora e amiga, sei sem dúvida que em parte a maneira como fomos tratados foi devido à forma como ela nos apresentou, bem como nosso cenário, de forma clara e aberta. Juntos, apresentamos uma visão que eles sentiram e seguiram. Depois de presenciar algumas transferências  ao longo dos anos, posso jurar a vocês que praticamente nada disso foi “comum”.

O novo paradigma do nascimento está em andamento.

O nascimento de Rumi foi revolucionário para mim. Era exatamente o que eu precisava e ouso dizer que senti o mundo mudando. Trouxemos nossa perspectiva, nossa REALIDADE para aquela situação e a experiência se fez ao nosso redor. Era minha, dele e pertenceu a nós. Em retrospecto, percebo como tudo isso é louco! Quão incomum, especial, maravilhoso e estranho! Mas enquanto eu estava lá, não esperava nada além disso. Não foi confrontativo, negativo ou conflitante, foi simplesmente um nascimento sem perturbações, totalmente sob meu poder, em um ambiente que não planejei.

 

Fui testada, talvez, para VIVER o que ensinamos. A autonomia é um trabalho interno. Você não entende isso de fora e não é um rótulo que você atribui com base em qualquer outra coisa além de como se SENTIU. O parto pode ser traumatizante quando não nos empoderamos ou  sentimos que não fomos honradas. Muitos partos em casa são mais traumatizantes do que esse nascimento foi para mim.

 

Rumi, você é tão incrível. Eu sabia, mas ainda me perguntava por que você escolheu este mundo, neste momento. Você é um agente de mudanças. Você realmente ajudou a mudar um velho paradigma,  vimos ele deixar de existir, mesmo que fosse apenas por aquela hora, naquele dia. Eu me pergunto quantas revoluções você começará e novas coisas serão criadas por você para mudar a experiência humana. Só posso imaginar as mudanças que ele fará.

( E mais: estávamos de volta em casa, deitados na cama algumas horas após o nascimento, para cumprimentar as crianças ao acordar e fazer as coisas “normais” como pesá-lo (3,6 kg!)  e eventualmente, cortar seu cordão.)

Não sinto vergonha, culpa ou arrependimento. O nascimento é mais do que um rótulo, foi um “parto hospitalar”, mas uma experiência totalmente poderosa que essencialmente pedi, quis e precisei. Eu precisava dela para entender totalmente e viver as complexidades de liderar (com Margo) um movimento radical de nascimento. Não como o movimento Freebirth; mas um MOVIMENTO radical que me lembra e deveria lembrar a você, que o PODER ESTÁ DENTRO. Podemos escolher como nos sentimos, que escolhas fazemos e mesmo em face do desconhecido, podemos direcionar energeticamente nossa experiência para alterar o mundo ao nosso redor.

 

Literalmente, podemos trazer nossa realidade conosco, onde quer que formos. E às vezes os ensinamentos acontecem em um lugar que vemos como escuro, apenas para recebermos a mensagem e avançarmos para a luz. Eu te amo meu Rumi Sol.

 

“A cura para a dor está na dor” - Rumi

Maryn é parteira e junto a sua parceira, Margo, integram o Indie Birth, grupo de auxilio a gestação e maternidade, atendendo, também, partos domiciliares no Arizona/EUA. 

Você pode encontrar mais informações sobre elas pelo site: https://indiebirth.org/

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